segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Disputa por Muro das Lamentações aumenta tensão entre judeus e palestinos

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, condenou na semana passada um estudo publicado pela Autoridade Palestina que nega qualquer ligação entrejudeus e o Muro das Lamentações, local sagrado e icônico de culto judaica na Cidade Velha de Jerusalém, descrevendo seu relatório como “repreensível e escandaloso”.

O episódio pareceu um sinal de agravamento da atmosfera após um hiato de dois meses nas negociações de paz. As declaração de Netanyahu se referem a um longo artigo publicado em árabe pelo site do Ministério da Informação do governo palestino, liderado pelo presidente Mahmoud Abbas e pelo primeiro-ministro Salam Fayyad, na Cisjordânia. A publicação foi anteriormente relatada pelo jornal Jerusalem Post.

Jerusalém e seus lugares sagrados são dos problemas mais intratáveis e emocionais do conflito entre israelenses e árabes. Israel conquistou a parte oriental de Jerusalém, incluindo a Cidade Velha, da Jordânia na guerra de 1967, e anexou-a em um movimento que nunca foi reconhecido internacionalmente.

Cerca de 200 mil judeus vivem em áreas de Jerusalém Oriental, que têm sido desenvolvidas desde 1967, em meio a 250 mil palestinos, que reivindicam Jerusalém Oriental como a capital de um futuro Estado palestino.

O Muro das Lamentações é um remanescente do muro de arrimo de um planalto reverenciado pelos judeus como o Monte do Templo, local onde ficavam seus templos antigos. O planalto é também o terceiro local mais sagrado do islã. Conhecido pelos muçulmanos como Haram Al-Sharif, ou Santuário Nobre, o local agora inclui a mesquita Al Aksa e o Domo da Pedra.

Estudo palestino alega que muro sagrado para judaísmo não teria ligação comjudeus

Tradição

Na tradição muçulmana, o muro é o lugar onde o profeta Maomé atrelou seu cavalo alado, Buraq, durante sua viagem milagrosa de uma noite de Meca a Jerusalém no século 7.

O estudo palestino nega qualquer ligação histórica entre judeus e o local, segundo o autor Al-Mutawakel Taha, oficial do Ministério da Informação. Nele, ele afirmou que “o muro da Al Buraq é o muro ocidental da Al Aksa, que os sionistas falsamente reivindicam e chamam de Muro das Lamentações ou Kotel”. Autoridades palestinas há muito negam as reivindicações de herença judaica em Jerusalém, argumentando que não há provas de que o platô foi o local de templos antigos.

Netanyahu insiste na construção de assentamentos nas áreas judaicas de Jerusalém, como todos os governos israelenses desde 1967, mas ele não expôs suas intenções quanto ao futuro estatuto da cidade desde que tomou posse.

Controle

A competição não oficial pelo controle de Jerusalém acontece pedra por pedra e casa por casa. Na semana passada, ativistas judeus se mudaram para um prédio que haviam adquirido em Jebel Mukaber, bairro predominantemente árabe com vista para a Cidade Velha e seus santuários, e na quarta-feira um outro grupo de ativistas judeus se mudou para um apartamento no Monte das Oliveiras, no bairro palestino A-Tur.

O estudo de Taha foi publicado no site de seu ministério um dia depois de o governo israelense aprovar um projeto de US$ 23 milhões para renovar e desenvolver o Muro das Lamentações e seus arredores ao longo de cinco anos.

Netanyahu, em um comunicado divulgado por seu gabinete, disse que o Muro das Lamentações “tem sido o local mais sagrado do povo judeu há quase 2 mil anos, desde a destruição do Segundo Templo”. Ele acrescentou que a recusa da Autoridade Palestina em aceitar um elo judeu “questiona as suas intenções de chegar a um acordo de paz, cujas bases são a coexistência e o reconhecimento mútuos”.

Netanyahu exortou os líderes da autoridade a rejeitar o documento. Não houve comentários imediatos de autoridades palestinas.

Mas, em outra indicação da atmosfera tensa, o governo palestino emitiu um comunicado intitulado “Crimes Israelenses de Destruição”, listando ações israelenses em Jerusalém e a demolição de inúmeras construções palestinas nos últimos dias, em áreas da Cisjordânia controladas por Israel sem autorização.

Fonte: O Galileo

onde está o Jardim do Éden hoje?

Segundo o livro de Gênesis, em seu segundo capítulo, quando Deus criou o ser humano nas figuras de Adão e Eva, deu-lhes como habitação uma vasta área repleta de fertilidade, de natureza exuberante, com o melhor em recursos vegetais, animais e minerais. A região, conhecida como Jardim do Éden, foi a primeira morada do homem e, conforme a descrição bíblica, ficava entre os rios Tigre e Eufrates, lugar posteriormente chamado Mesopotâmia, onde hoje se localiza o país do Iraque. A porção de terra descrita na Bíblia também abrange uma pequena parte do que hoje é a Síria. Outros dois rios também constam da descrição: o Pisom e o Giom.

No Éden, ao homem era permitido desfrutar de tudo o que a natureza oferecesse em se falando de alimento e abrigo, exceto os frutos da árvore do conhecimento do que era bom e mau. Adão e sua companheira, Eva, desobedeceram a única proibição que tinham e deram origem ao pecado, sendo expulsos pelo Senhor do jardim. Manipulados pela serpente para provarem do fruto proibido, romperam uma aliança muito íntima com Deus, expulsos do lugar que tudo lhes oferecia. Tiveram que, a partir daí, conquistar o alimento com o suor, trabalhando para seu sustento.

Como resultado do dilúvio, também descrito em Gênesis, a área conhecida como Éden foi inundada. Com as mudanças climáticas pós-diluvianas, a área tornou-se desértica.

Na Bíblia, quando o texto se refere a oriente e ocidente, toma como referência geográfica Israel, o que comprova a posição do atual Iraque, ao oriente. O texto das Escrituras atesta que o rio Tigre corre ao oriente da Assíria (atual Síria) correspondendo ao Tigre, hoje conhecido. Dos rios descritos na Palavra, apenas o Tigre e o Eufrates permanecem nos dias atuais. O Pisom e o Gion irrigavam o Éden. Hoje, não mais existentes no mapa, supõe-se que a área que ficava às suas margens esteja submersa no Golfo Pérsico.

Gênesis diz que Deus formou Adão do barro, da terra. O nome Adão, do hebraico, tem o significado de “vermelho” (adom), também significando, com pequena variação fonética (adam), “homem”. Não por acaso, o solo da região tem um forte tom avermelhado.

As evidências histórico-geográficas apontam que a região, hoje conturbada por conflitos e guerras, rica em petróleo (que também não por acaso é resultante do soterramento de grandes florestas da pré-história), é o berço da humanidade.

A disputa pela água


O fato de a área ser fartamente irrigada por grandes rios na época despertou o interesse de muitos povos por aquela região, por estar em terra úmida e propícia à agricultura, uma prática fundamental para a subsistência da população.

Os sumérios foram os primeiros a habitar a Mesopotâmia. Antes de ali se estabilizarem, eram nômades. Acredita-se que eles foram a primeira civilização do mundo e a eles são atribuídas as invenções da escrita e da roda. É difícil afirmar quando isso ocorreu com precisão. No entanto, historiadores, baseados em descobertas arqueológicas, acreditam ser em torno de 4000 a 3500 antes de Cristo (a.C.).

Diversos povos passaram pela região e conquistaram a Mesopotâmia. Impérios caíram e outros novos se ergueram. Um dos mais significativos foi o Império Babilônico, provavelmente estabilizado na região por volta de 1730 a.C. Entre os monarcas que mais se destacaram está Hamurabi (na ilustração), o responsável pela criação do código de leis mais antigo de que se tem história até hoje.

No século VII, a Mesopotâmia, conquistada por gregos e persas, foi sede de um vasto império árabe, que começou com a capital em Damasco, na Síria, e logo depois foi transferida para Bagdá, a cidade das “mil e uma noites”, devido a sua localização estratégica, próxima aos rios.

O Iraque contemporâneo

Entre 1658 e 1918, o Iraque fez parte do Império Otomano, composto principalmente por turcos. Após o término da I Guerra Mundial, o império foi desmembrado e nasceu o Iraque moderno, sob a tutela do Reino Unido. Essa decisão foi tomada pela Liga das Nações, uma organização dos países vencedores da guerra, com o aparente intuito de negociar um acordo de paz.

Contudo, os iraquianos não aceitaram a condição de dominação à qual foram submetidos pela Liga. Surge, a partir disso, um forte movimento pela independência do país.

Em 1932 o Iraque foi declarado independente, embora continuasse com participação intensa da Inglaterra em seu governo. Em 1933, Rhasi I assumiu o trono e, após sua morte, seu filho Faisal II foi coroado em uma iniciativa manipulada pelos ingleses. Faisal II assumiu fortes compromissos com a Inglaterra, o que gerou insatisfação daqueles que clamavam pela verdadeira independência em relação ao poderio britânico.

A República do Iraque foi instaurada somente no dia 14 de julho de 1958 por meio de de um golpe militar liderado pelo general Kassem. Faisal II e sua família foram brutalmente assassinados.

O golpe iniciou um ciclo de agitações políticas que conduziram Saddam Hussein ao poder em 1979. Um ano após a posse de Hussein, o Iraque, apoiado pelos Estados Unidos, começou uma guerra contra o Irã que durou 8 anos, até os dois países decidirem pelo cessar-fogo. Dois anos depois, o Iraque invadiu o Kuwait (foto ao lado), mas foi duramente reprimido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Os Estados Unidos intervieram com a operação “Tempestade no Deserto”, libertando o Kuwait.

Em 2003 o Iraque foi invadido pelos Estados Unidos, com apoio da Inglaterra, contrariando a ONU, desfavorável à invasão. Os norte-americanos, após os ataques terroristas ao seu país em 11 de setembro de 2001, usaram o pretexto de que o Iraque estava construindo e estocando armas de destruição em massa. Até hoje nada foi encontrado.

George W. Bush, então presidente dos Estados Unidos, mudando o foco da invasão, declarou guerra ao “eixo do mal”, no qual Hussein era visto como um dos líderes ditatoriais mais cruéis na história contemporânea. Em 2006, Saddam foi capturado (foto à esquerda) após tentar se esconder do exército norte-americano e sentenciado à morte pelo governo iraquiano.

A Síria

A atual República Árabe da Síria foi, em tempos ancestrais, território majoritário de uma região denominada Levante (“onde o sol se levanta”, visto do Mediterrâneo). Damasco (foto à direita, nos dias atuais), capital da Síria e importante centro econômico do Oriente Médio há séculos, reivindica o título de cidade mais antiga continuamente habitada. Não é para menos: a história do país remonta a tempos imemoriais. Acredita-se que lá tenha habitado Uz, filho de Arão e descendente direto de Noé.

Damasco também foi capital da Dinastia dos Omíadas, composta pelos califas (líderes religiosos e políticos), entre os anos de 661 e 750. Nessa época, a Síria passou a ser vista como um importante centro comercial, atraindo a ambição estrangeira. Muitos povos dominaram a região, até que em 1516 o país passou a ser parte do Império Otomano.

Com o fim da I Guerra Mundial, a Síria foi divida em duas partes: uma sob poder francês e outra sob o jugo britânico. A independência síria foi conquistada somente em 1946. Desde então, a situação política do país tem sido bastante instável. Sucessivas tentativas de golpe para tomar o poder levaram o país ao estado de sítio. Até hoje, a Síria não possui sistema bancário organizado e inúmeros direitos constitucionais dos cidadãos foram sustados.

Ao contrário do que muitos acreditam, a Síria é um país laico (a religião não interfere no governo), apesar da predominância muçulmana (74% da população). O regime militar adotado em 1970 por Hafez Al-Assad (à esquerda), um oficial fortemente influenciado pelas ideias soviéticas e que foi presidente até o ano de 2000, impera até os dias atuais, agora com seu filho Bashar Al-Assad, no poder. Qualquer manifestação a favor dos direitos humanos é fortemente reprimida pelo governo. Conforme a Anistia Internacional, presos políticos são perseguidos, torturados e executados sem qualquer forma de defesa.

Por conta das constantes guerras civis, muitos sírios procuraram fugir desse cenário. No ano de 1880 teve início uma maciça migração de sírios para o Brasil, então com fronteiras fortemente abertas a imigrantes.

A maioria deles, na época, foi para o Rio de Janeiro ou São Paulo, onde trabalhavam principalmente no ramo comercial. As lojas na região da Rua 25 de Março, em São Paulo, por exemplo, foram fundadas principalmente por imigrantes sírios e libaneses.

A culinária síria, ou da antiga região do Levante, foi muito bem aceita pelo Brasil, hoje presente em praticamente todas as cidades brasileiras. A esfiha, o quibe, a folha de uva recheada (conhecida como “charuto”, também adaptado com o uso de folhas de repolho) e a pita (apelidada aqui como pão sírio), são célebres exemplos da influência gastronômica síria em nosso país.

Apesar dos problemas internos, a Síria é um importante destino turístico. Considerada por muitos o “berço da humanidade”, possui história milenar, refletida em construções preservadas, tombadas como patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), como as Cidades Antigas de Alepo, Bosra (onde fica o anfiteatro romano da foto) e de Damasco, o Sítio de Palmira, o Krak (forte) dos Cavaleiros e a Fortaleza de Saladino.

fonte: Arca Universal

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Desigualdade social e sua visão

A desigualdade social e a pobreza são problemas sociais que afetam a maioria dos países na atualidade. A pobreza existe em todos os países, pobres ou ricos, mas a desigualdade social é um fenômeno que ocorre principalmente em países não desenvolvidos.

O conceito de desigualdade social é um guarda-chuva que compreende diversos tipos de desigualdades, desde desigualdade de oportunidade, resultado, etc., até desigualdade de escolaridade, de renda, de gênero, etc. De modo geral, a desigualdade econômica – a mais conhecida – é chamada imprecisamente de desigualdade social, dada pela distribuição desigual de renda. No Brasil, a desigualdade social tem sido um cartão de visita para o mundo, pois é um dos países mais desiguais. Segundo dados da ONU, em 2005 o Brasil era a 8º nação mais desigual do mundo. O índice Gini, que mede a desigualdade de renda, divulgou em 2009 que a do Brasil caiu de 0,58 para 0,52 (quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade), porém esta ainda é gritante.

Alguns dos pesquisadores que estudam a desigualdade social brasileira atribuem, em parte, a persistente desigualdade brasileira a fatores que remontam ao Brasil colônia, pré-1930 – a máquina midiática, em especial a televisiva, produz e reproduz a ideia da desigualdade, creditando o “pecado original” como fator primordial desse flagelo social e assim, por extensão, o senso comum “compra” essa ideia já formatada –, ao afirmar que são três os “pilares coloniais” que apoiam a desigualdade: a influência ibérica, os padrões de títulos de posse de latifúndios e a escravidão. É evidente que essas variáveis contribuíram intensamente para que a desigualdade brasileira permanecesse por séculos em patamares inaceitáveis.

Todavia, a desigualdade social no Brasil tem sido percebida nas últimas décadas, não como herança pré-moderna, mas sim como decorrência do efetivo processo de modernização que tomou o país a partir do início do século XIX.
Junto com o próprio desenvolvimento econômico, cresceu também a miséria, as disparidades sociais – educação, renda, saúde, etc. – a flagrante concentração de renda, o desemprego, a fome que atinge milhões de brasileiros, a desnutrição, a mortalidade infantil, a baixa escolaridade, a violência. Essas são expressões do grau a que chegaram as desigualdades sociais no Brasil.

Segundo Rousseau, a desigualdade tende a se acumular. Os que vêm de família modesta têm, em média, menos probabilidade de obter um nível alto de instrução. Os que possuem baixo nível de escolaridade têm menos probabilidade de chegar a um status social elevado, de exercer profissão de prestígio e ser bem remunerado. É verdade que as desigualdades sociais são em grande parte geradas pelo jogo do mercado e do capital, assim como é também verdade que o sistema político intervém de diversas maneiras, às vezes mais, às vezes menos, para regular, regulamentar e corrigir o funcionamento dos mercados em que se formam as remunerações materiais e simbólicas.

Observa-se que o combate à desigualdade deixou de ser responsabilidade nacional e sofre a regulação de instituições multilaterais, como o Banco Mundial. Conforme argumenta a socióloga Amélia Cohn, a partir dessa ideia “se inventou a teoria do capital humano, pela qual se investe nas pessoas para que elas possam competir no mercado”. De acordo com a socióloga, a saúde perdeu seu status de direito, se tornando um investimento na qualificação do indivíduo.

Ou, como afirma Hélio Jaguaribe em seu artigo No limiar do século 21: “Num país com 190 milhões de habitantes, um terço da população dispõe de condições de educação e vida comparáveis às de um país europeu. Outro terço, entretanto, se situa num nível extremamente modesto, comparável aos mais pobres padrões afro-asiáticos. O terço intermediário se aproxima mais do inferior que do superior”.

A sociedade brasileira deve perceber que sem um efetivo Estado democrático, não tem como combater ou mesmo reduzir significativamente a desigualdade social no Brasil.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Igrejas evangélicas da Alemanha permitem que pastores e bispos gays morem com parceiros

Depois de uma reunião realizada na semana passada, a maioria do sínodo da Igreja Evangélica local passou a permitir que os sacerdotes homossexuais do Estado alemão da Baviera poderão conviver nas casas paroquiais com os parceiros.A reunião aprovou a medida com 98 votos a favor, cinco contra e cinco abstenções, seguindo assim a recomendação prévia emitida pelo Conselho Evangélico do Estado da Baviera.

Assim, a partir de agora, os pastores homossexuais e as pastoras lésbicas poderão solicitar permissão à Igreja evangélica para compartilhar as dependências paroquiais com seus respectivos companheiros ou companheiras.

A hierarquia eclesiástica vai decidir cada caso individualmente, analisando se a convivência comum não afetará o trabalho pastoral do sacerdote.

A Igreja Evangélica Alemã deixa nas mãos das Igrejas regionais a decisão sobre a convivência dos casais homossexuais, por isso a regra varia entre os estados da Alemanha.

O caso da Baviera é especialmente chamativo, porque é considerado a região mais tradicionalista da Alemanha. Atualmente, o país conta com mais de 24 milhões fiéis evangélicos.

Fonte: Jornal O Girassol

sábado, 27 de novembro de 2010

Anti-intelectualismo religioso

Infelizmente, em pleno século XXI ainda existe uma turma dentro de nossas igrejas que se manifesta contra o estudo secular e a busca pelo conhecimento. Em alguns lugares, o cristão estudioso é tido como rebelde, frio, calculista, modernista, liberal e inveterado insurgente. James Sire chama isso de versão popular do intelectual.

De modo recorrente é dito que a igreja não precisa de mais conhecimento ou de doutores, já que historicamente ela foi levada adiante por pessoas que nunca estudaram, e que, portanto, a intelectualidade é desnecessária e sobretudo perigosa.

E alguns, para fundamentar, lançam mão do texto de II Cor. 3.6: “… porque a letra mata e o espírito vivifica”.

É um erro grosseiro de interpretação dizer que a palavra “letra” no texto de II Cor. 3.6 esteja se referindo ao conhecimento. Não é preciso muito conhecimento teológico para se depreender do texto sob análise que Paulo está fazendo referência à letra da lei, e não ao conhecimento. Veja-se que o capítulo em que o versículo está inserido tem como tema principal a diferença entre o ministério do Antigo e do Novo Testamento, fato este que pode ser plenamente verificado nos versículos posteriores, onde Paulo escreve: “O ministério que trouxe a morte foi gravado com letras em pedras; mas este ministério veio com glória que os israelitas não podiam fixar os olhos na face de Moisés, por causa do resplendor de seu rosto, ainda que desvanecente” v. 7 – NVI

A infeliz verdade é que ainda existe um pensamento de anti-intelectualismo dentro de alguns círculos religiosos. O escritor Os Guinnes chama isso de hedonismo mental. Já John Stott denomina de cristianismo de mente vazia.

De fato, a Bíblia alerta sobre o perigo da arrogância do conhecimento e da sabedoria carnal (II Co. 1.12). Todavia, é preciso ressaltar que a arrogância atinge não somente os estudiosos, mas também aqueles que não buscam conhecimento. E o que existe de crente que se arroga da sua própria ignorância não está escrito, como se no céu fossem receber de Deus uma coroa pela burrice exercida na terra.

A Bíblia diz: “O coração do entendido adquire o conhecimento, e o ouvido dos sábios busca a sabedoria.(Pv. 18.15)

Não quero com isso dizer que o cristão intelectual é superior ou inferir àquele que não aprecia o estudo ou a leitura. Não, não e não!

Quero simplesmente ressaltar que a vida intelectual não é sinônimo de arrogância ou de desvio doutrinário, e que tanto estudioso quanto não estudioso estão sujeitos aos mesmos erros. É claro que a vida cristã não pode pautar-se jamais pelo grau de conhecimento que possuímos, mas sim pela dependência plena à Cristo.

Como escreveu Paulo: “A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (I Co. 2:5,6).

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Número de jovens adultos abandonando o cristianismo bate recorde nos EUA

Sociólogos estão vendo acontecer entre os jovens adultos dos EUA uma grande mudança: o abandono do cristianismo. Uma resposta honesta requer um exame deste “êxodo” e alguns questionamentos sobre os motivos desta mudança.

Estudos recentes trouxeram à luz esta questão. Entre os resultados divulgados pela American Religious Identification Survey [Pesquisa de Identificação da Religião nos EUA] em 2009, um aspecto merece destaque. A porcentagem de americanos que afirmam ser “sem religião” quase duplicou em duas décadas, De 8,1%, em 1990, chegaram a 15% em 2008.

Essa tendência não está limitada a uma região. Os “sem religião”, cuja resposta à pergunta sobre afiliação religiosa foi “nenhuma”, foi o único grupo que cresceu em todos os estados americanos, incluindo o conservador “cinturão bíblico” no sul. Os “sem religião” são mais numerosos entre os jovens: 22% dos entrevistados entre 18 a 29 anos alegou não ter religião, em contraste com os 11% de 1990. O estudo também descobriu que 73% deles cresceram em famílias religiosas, sendo que 66% foram descritos pelo estudo como “desconvertidos”.

FONTE: Gospel Prime

A Disposição para Crer

"De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam."
Hebreus 11.6

"Fé", hoje em dia, é uma idéia que soa muito distorcida, sobretudo porque em muito poucas pessoas se encontra a fé verdadeira. Mas a fé é algo vivo, pois através dela é possível alcançar tudo. Esse fato está intimamente ligado à disposição para a verdade. Se em meu coração não há disposição para a verdade, tenho proporcionalmente pouca fé, pois a fé em meu coração é exatamente tão forte quanto a verdade em mim. Essa conexão encontramos em Hebreus 10.22 "...aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé." Em outras palavras: somos incapazes de crer se não somos sinceros. Se busco ao Senhor e de fato quero encontrá-lO, apesar de meu coração ainda estar preso em outras coisas, aquilo que menciono na minha oração não é verdadeiro nem sincero, e essa oração não tem força para ser atendida. Pois sendo mentiroso, não posso crer. Oramos por despertamento e por tantas outras coisas, mas, quando a resposta vem, ainda assim não nos voltamos para Deus. Ainda há muito campo diante de nós para conquistar, pois tudo é possível ao que crê!