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terça-feira, 23 de outubro de 2012

A Justiça nos Salmos


Onde o homem buscará justiça?
Segundo o salmista, a mão direita de Deus está plena de justiça ( Sl 48:10 ). Tudo o que fora dito pelos profetas acerca de Deus, o homem encontra em Cristo “Como o ouvimos, assim o vimos na cidade do SENHOR dos Exércitos, na cidade do nosso Deus. Deus a confirmará para sempre” ( Sl 48:8 ).
O salmista profetizou dizendo que, tudo o que ouviram, assim viram na cidade de Jerusalém. O evangelista João confirma esta palavra, quando diz: “O QUE era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida” ( 1Jo 1:1 ).
Cristo apresentou-se diante da multidão com as mãos plenas de justiça, pois veio e cumpriu o que fora ordenado pelo Pai ( Sl 48:11 ). Ele mesmo enfatizou ser o cumprimento cabal do que fora predito, portanto, era o cumprimento da lei ( Mt 5:17 -18).
Há uma má leitura da fala de Jesus quando disse que ‘veio cumprir a lei’. Muitos entendem que Jesus veio cumprir o sábado, a circuncisão, os jejuns, as luas novas, as festas, etc., porém, a leitura correta é que Ele é o cumprimento cabal da lei e dos profetas. Em Cristo tudo foi cumprido, quer seja um til ou um jota. Embora Jesus se assentasse com os pecadores e cobradores de impostos, não jejuasse aos moldes dos fariseus, não guardasse o sábado como os seus compatriotas, Ele era a encarnação da lei e dos profetas ( Mt 9:14 ; Jo 9:16 ).
Por fim, o salmista profetiza que Cristo há de ser o guia daqueles que nele confiam até a morte “Porque este Deus é o nosso Deus para sempre; ele será nosso guia até à morte” ( Sl 48:14 ). Como? Jesus não veio para livrar o homem da morte? O correto não seria um guia que livrasse o homem da morte?
Não! Na verdade, para que a justiça de Deus fosse estabelecida, necessário é que o devedor recebesse o seu prêmio: a morte. Deus estabeleceu: a alma que pecar, essa mesma morrerá, de modo que a pena não passa da pessoa do transgressor ( Ez 18:4 ).
Por causa deste entrave é que Jesus convida os homens a tomarem sobre si a sua própria cruz e segui-lo. Qualquer que crê em Cristo toma a sua cruz; quem crê segue após Cristo, é crucificado e morto. Cristo morreu a morte física como cordeiro de Deus, em lugar de todos os pecadores. Porém, todos os que creem morrem com Ele para que a justiça de Deus seja estabelecida, e só então, é criado um novo homem, ressurreto em uma nova criatura "Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados" ( 1Pe 2:24 ).
Quando o homem morre com Cristo, Deus é justo. Quando o homem ressurge dentre os mortos, Deus é justificador, pois declara ressurreto é justo o homem de novo gerado, pois foi criado participante da natureza divina: justo ( 1Pe 1:4 ). Somente os nascidos de Deus são justos e praticam justiça. Praticar justiça é próprio aos nascidos d’Ele, assim como pecar é próprio aos escravos do pecado "Se sabeis que ele é justo, sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele" ( 1Jo 2:29 ).
Somente àqueles que se achegam a Cristo (luz) praticam a verdade. Como a obra de Deus é que o homem creia em Cristo, a obra de quem crê é realizada em Deus. Quem crê professa a verdade do evangelho, de modo que as suas obras são manifestas “Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus” ( Jo 3:21 ).
Confessar que Jesus de Nazaré é o Cristo de Deus, certo de que Deus o ressuscitou dentre os mortos é o artigo de fé pelo qual o homem é salvo.
Quem crê nesta verdade, alcança justiça e a boca manifesta a obra realizada por Deus “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido” ( Rm 10:9 -11).
Fonte: Estudo biblico

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A inerrância da Bíblia



“E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir” (Jr 1.12).
A Bíblia, em sua essência, é a Palavra de Deus; não contém erros de qualquer natureza, graças à sua plena inspiração, sob supervisão do Espírito Santo. Essa é uma declaração irrefutável. Não pode ser posta em dúvida. Os descrentes querem, a todo o custo, apontar erros nos textos bíblicos. No entanto, como se trata de um Livro de natureza espiritual, inspirado por Deus, não pode conter erros, em seu conteúdo. Pode haver falhas nas traduções, nas interpretações ou na sua apresentação gramatical, visto que, tendo sido escrita em linguagem antiga, no hebraico e no grego, além de expressões breves no aramaico, é possível observar-se algumas falhas em termos de grafia ou de tradução. 
Porém, as possíveis falhas, ou dificuldades de tradução, ou de interpretação, jamais podem ser consideradas como indicativas de erro na mensagem bíblica. Menos de 1% dos “erros” encontrados nos manuscritos, são falhas na transmissão da mensagem, e não afetam a integridade da Palavra de Deus. Deus disse a Jeremias: “Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir” (Jr 1.12b). Nos primórdios da reunião dos livros da Bíblia, houve um processo meticuloso, em termos de seleção das fontes originais, ou dos autógrafos, que deram origem aos textos da Bíblia. Assim, podemos afirmar com toda a segurança que, quando em conformidade com os manuscritos originais, a Bíblia não tem erros em seus textos.
De maneira especial, Deus transmitiu sua vontade aos homens. E o fez através da mensagem escrita, para que ninguém pudesse alegar possíveis falhas, que poderiam ocorrer na transmissão oral, ao longo dos séculos. E, nesse processo de transmissão escrita, de modo inspirado, a Bíblia merece toda confiabilidade e reconhecimento de sua veracidade. Ela é inerrante, ou seja, não contém erros em seu conteúdo, em suas mensagens, em seus propósitos.
Certo escritor, em sua vaidade, resolveu ler a Bíblia, com o objetivo de mostrar que ela estaria eivada de erros e contradições. Seria para ele o ápice de sua sabedoria humana. No entanto, após folhear e ler a Bíblia, acabou verificando que, em vez de descobrir os erros em suas páginas, estas sim, abriram-se qual espelho da alma e mostraram seus erros e pecados. As palavras escritas, mesmo na Bíblia, podem sofrer alguma alteração lingüística, a ponto de apresentar possíveis distorções ou discrepâncias. Mas a Bíblia, enquanto Palavra de Deus, como “espírito e vida” (Jo 6.63), não contém qualquer erro ou falha.
Em lugar de conter erros em sua mensagem fundamental, da parte de Deus para o homem, a Bíblia se constitui num código de fé, ética e prática, indispensáveis ao ordenamento da vida humana, tanto em termos espirituais, pessoais, como sociais, familiares, profissionais, de conduta, e em todos os aspectos. Diz o salmista: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho” (Sl 119.105).
I – REQUISITO INDISPENSÁVEL DA INERRÂNCIA BÍBLICA
1. CONCEITUAÇÃO
Inerrância é a qualidade de quem é inerrante, ou que não comete erros. “Que não pode errar; infalível”. As mensagens dos homens, em toda a História, têm sido criticadas, e até desprezadas, por se constatarem falhas ou erros em seu conteúdo. Tais mensagens não podem reivindicar inerrância. Até mesmo as ciências, fundamentadas em dados e informações, obtidas a partir de pesquisas, e evidências empíricas, têm suas falhas ou erros. Mas a Palavra de Deus, consubstanciada na Bíblia Sagrada, não pode conter erros, ou seja, ela é inerrante. 
2. INERRÂNCIA E INFALIBILIDADE
O conceito de inerrância bíblica está associado ao conceito de infalibilidade. A Bíblia não contém erros. Como é a Palavra de Deus, Ela é infalível. Diz Pedro: “Secou-se a erva, e caiu a sua flor; mas a palavra do Senhor permanece para sempre” (1 Pe 1.24b,25a). O verbo permanecer, no texto, tem o sentido de não se abalar, não mudar, não sofrer alteração. A Bíblia não é como a falsa teoria da evolução. Esta fundamenta-se nas premissas falsas e equivocadas, do naturalista Darwin. 
No livro “Origem das Espécies”, do materialista Charles Darwin, como vimos em capítulo anterior, há expressões de dúvida, a ponto de o seu autor dizer “se a minha teoria estiver certa [...]; talvez; pode ter havido [...]” São expressões que revelam dúvida, incerteza, no domínio das hipóteses, que são aceitas, infelizmente, sem questionamento sério. Na Bíblia, no entanto, não encontramos qualquer expressão de dúvida, incerteza, ou insegurança, por parte do seu autor ¾ Deus. O Livro Sagrado já começa com a expressão “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1).
A infalibilidade da Bíblia decorre do fato de ser um livro de origem divina, pela inspiração e revelação do Espírito Santo; e por ser um livro cuja mensagem, em termos de história, profecia, e escatologia, têm a supervisão divina. Diz a Palavra: “E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir” (Jr 1.12). A Bíblia é infalível porque é Deus quem garante sua veracidade e cumprimento. Deus vela por Ela. Ainda que, por permissão do próprio Deus, há tantos adversários da Bíblia, o Senhor vela para que a mensagem bíblica se cumpra de modo cabal e perfeito. Deus, Soberano do universo, tem o pleno controle dos fatos e dos homens, de tal forma que, queiram ou não, os acontecimentos confirmam as afirmações e previsões, constantes da Bíblia. A inerrância é condição indispensável para que a Bíblia seja infalível.
Para o homem herege, ateu, materialista, tais razões não fazem sentido. E isso é natural. A Bíblia acentua a incapacidade de o homem natural não absorver a mensagem de Deus. Diz Paulo: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Co 2.14). Para o homem espiritual, no entanto, a Bíblia é objeto do seu amor e reflexão. “Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia!” (Sl 119.97)
II – RAZÕES DE SUA INERRÂNCIA 
1. SUA AUTORIA DIVINA
Não se pode avaliar a quantidade de livros, revistas, jornais, artigos e matérias, escritos pelo homem, ao longo da História, desde que surgiu a imprensa, no Século XVI. Milhões de autores e escritores têm expressado seus pensamentos. Diz a Bíblia: “E, de mais disso, filho meu, atenta: não há limite para fazer livros, e o muito estudar enfado é da carne” (Ec 12.12). Mas os autores humanos são sempre falhos. 
Porém, o autor espiritual da Bíblia, que é Deus, jamais falhou. Diz a Palavra: “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa; porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?” (Nm 23.19) No meio dos milhões de textos, escritos pelo homem, há verdades e mentiras; há mistificações, enganos, equívocos e até distorções propositais da verdade, pela manipulação dos fatos e das idéias. No entanto, Deus, o Autor da Bíblia, não mente. Nem se arrepende. Quando encontramos na Bíblia, textos que dão a idéia de que Deus se arrependeu (Gn 6.7; 1 Sm 15.35; Am 7.3), devemos entender que Deus muda de planos, em função de atos ou ações errôneas do próprio homem, e não de sua parte. Deus não fez nem faz nada errado.
 Quando Ele diz, faz; quando Ele fala, confirma. Quando Ele faz, ninguém, a não ser com sua permissão, pode mudar o que Ele determinou. Ele é “o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e ninguém abre” (Ap 3.7). O autor da Bíblia não muda: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação” (Tg 1.17).
A autoria divina da Bíblia, para o cristão verdadeiro, garante sua inerrância e infalibilidade. É objeto de sua fé. Às vezes, essa fé atinge feição radical. Lembro-me de, quando estava lecionando na universidade, fui abordado por um professor e advogado muito conhecido na cátedra e na comunidade. Ele era ateu positivista, adepto das idéias de Augusto Comte; materialista e admirador de Darwin. E me disse: “Professor, eu não entendo vocês, os crentes. Há evangélicos que são tão extremistas, que uma senhora, de sua igreja, que trabalha em minha casa, fez uma afirmação absurda, que nos faz até rir. Eu lhe indaguei se ela cria, realmente, que a baleia havia engolido Jonas. Ela respondeu que sim. Mas eu lhe expliquei que a garganta da baleia é tão estreita que não permite passar um homem. Só podem passar por ela pequenos peixes. Ela parou, me escutou, e respondeu: ¾ ‘Professor, se a Bíblia disser que Jonas engoliu a baleia, ainda assim eu creio nela!’” Na sua simplicidade, aquela humilde serva de Deus procedeu de acordo com a Bíblia, que diz: “Responde ao tolo segundo a sua estultícia, para que não seja sábio aos seus olhos” (Pv 26.5).
Mas o cristão consciente e fiel aos ensinos da Bíblia, pode e deve argumentar com toda a segurança sua convicção na inerrância e infalibilidade do Livro Sagrado. Diz Paulo que devemos oferecer a Deus o “culto racional” (Rm 12.1), ou seja, uma crença e uma adoração que tem razão de ser; que tem muitas razões de ser, na verdade. Devemos crer, como Lutero: “Quando as Escrituras falam, Deus fala”. É um postulado da fé. Ou a Bíblia é inerrante ou Deus não existe. Pois toda a sua mensagem, do primeiro ao último livro, parte do princípio sagrado da existência do Ser Supremo que criou todas as coisas, a vida, e os seres vivos, incluindo o homem, e resolveu transmitir ao ser criado a sua vontade soberana, através da mensagem escrita, em livros que, durante 1600 anos, foram reunidos na Bíblia. Com fé inabalável (Sl 125.1), cremos que Deus existe e fala conosco, os crentes, e para os homens, através da Bíblia Sagrada.
2. OS ESCRITORES HUMANOS — “HOMENS SANTOS DE DEUS” 
A mensagem bíblica tem origem em Deus, o Autor divino. Mas com exceção do Decálogo, escrito pelo próprio dedo de Deus nas tábuas de pedra e entregues a Moisés (Êx 31.18), os demais textos, reunidos em livros no Antigo e no Novo Testamentos, foram escritos por homens. Sendo assim, dizem os críticos da Bíblia: “Os homens escreveram de sua própria mente, e cometeram muitos erros”. 
Porém, de acordo com a Bíblia, os escritores dos Livros Sagrados não escreveram de sua própria cabeça, o que bem entendessem. Se assim o fosse, não teriam registrados certos fatos, muitas vezes comprometedores e constrangedores para eles. Qual seria o escritor, ou autor, que escreveria que um irmão estuprou a irmã; ou que um rei, que era tão querido por Deus, adulterou com uma Senhora, e mandou matar seu marido? Um autor humano poderia, sem qualquer problema, omitir tais fatos. No entanto, a Bíblia registra fatos como esses, como foi o caso de Amnon, filho de Davi, que cometeu o crime de estupro contra sua irmã, Tamar; e Davi, homem de Deus, num momento de falta de oração e vigilância, deixou-se levar pelos sentidos, e adulterou com Bate-Seba, esposa do general Urias (ver 2 Sm 11.3-5; 13.1-14). Na verdade, muitos dos que cometeram atos vergonhosos não escreveram nada. Outros, usados por Deus, relataram e escreveram os livros que contém tais fatos.
Os homens que escreveram os livros da Bíblia, considerados autores humanos, na verdade, a rigor, nem poderiam ser chamados de autores, mas sim de escritores sagrados. Moisés, Josué, Samuel, Davi, Neemias, Esdras, Jó, Salomão, Isaías, Jeremias, Daniel, Ezequiel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias, no Antigo Testamento, foram homens, que escreveram sob a inspiração e/ou revelação da parte de Deus, iluminados pelo Espírito Santo. Eles escreveram mensagens inspiradas para o povo de Israel, para muitas nações, e para sua época, bem como para tempos escatológicos. 
De igual forma, os escritores-autores dos livros do Novo Testamento, como Mateus, Marcos, Lucas, João, Paulo, o desconhecido autor aos Hebreus, Tiago, Pedro e Judas, também tiveram a gloriosa experiência de receber de Deus a mensagem divina para a humanidade. Eles não erraram na transmissão da mensagem.
Diz a Bíblia: “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.21). O cristão verdadeiro crê que a Bíblia é a infalível Palavra de Deus. E pode ser confortado com a afirmação bíblica de que os escritores-autores, dos Livros Sagrados, não produziram textos com objetivos comerciais de venda de livros ou de artigos como acontece hoje em todo o mundo. Não. Eles escreveram os textos, quando ainda não havia a imprensa. Os livros, escritos em pergaminhos ou papiros, eram escritos de forma artesanal, à mão. Muitas vezes à luz de lampiões, ou velas. Eram os manuscritos que se tornaram peças de valor inimaginável, ao receber a pena com tinta, transcrevendo a mensagem inspirada por Deus.
Podem os críticos argumentar que as muitas cópias dos manuscritos contém muitos erros ou discrepâncias, e, por isso, a inerrância da Bíblia estaria prejudicada. Mas “A inerrância é atribuída apenas aos manuscritos originaisdos vários livros da Bíblia; não é asseverada a respeito de qualquer cópia específica daqueles livros que sobreviveram até nosso tempo” (grifo nosso). 
Kenneth S. Kantszer afirmou: 
É possível sustentar que Deus poderia ter impedido os autores da Bíblia de cometer erros, tirando-lhes a liberdade e a condição de seres humanos; entretanto, os evangélicos jamais afirmaram tal coisa. Antes, a Bíblia é produto totalmente humano, e totalmente divino. Como produto divino, a Bíblia detém autoridade absoluta sobre a mente e o coração dos crentes. Como produto humano, mostra em si mesma todas as características essenciais da composição humana. Sem dúvida, Deus poderia ter-nos dado uma Bíblia escrita na perfeita linguagem do céu; nesse caso, porém, quem a poderia entender? Deus preferiu comunicar-nos sua vontade mediante o canal imperfeito da linguagem humana, com todas as suas possibilidades de má compreensão e má interpretação.
III – OS MANUSCRITOS BÍBLICOS
O termo “manuscritos” vem do latim, de manus (mão) e scriptus (escrita), ou seja, documento, texto, ou livro, escrito à mão. Antes de haver a imprensa, todos os documentos eram manuscritos. Houve textos, ou livros, escritos à mão em argila, em tabletes, em couro, em metal e em outros materiais. Os manuscritos bíblicos foram escritos em pergaminho ou em papiro. A princípio, os textos foram reunidos em rolos, de difícil manuseio. Depois, foram trabalhados em códices, escritos em “folhas” de casca de árvore, recobertas de cera, utilizando-se estiletes. Por volta do século IV d.C., os códices substituíram os rolos; o papiro foi substituído pelo pergaminho, feito de pele de animais; e, pelo século XII, o papel substituiu o pergaminho.
1. OS AUTÓGRAFOS – MANUSCRITOS ORIGINAIS 
Os manuscritos originais dos textos bíblicos não existem mais. Por razões não compreendidas, os primeiros pergaminhos ou papiros que compuseram os primeiros rolos, em que constavam os livros do Antigo Testamento, não foram preservados. Os estudiosos argumentam que se eles tivessem continuado a existir, talvez fossem objeto de idolatria. É provável. Mas sem sombra de dúvida, os manuscritos originais ou os autógrafos, existiram.
E foram eles que deram origem aos manuscritos mais antigos, que chegaram às mãos dos homens que selecionaram os livros da Bíblia, até formarem o cânon sagrado. É importante salientar que a infalibilidade, ou a inerrância da Bíblia, é reivindicada para os manuscritos originais. Se há cópias, é porque houve originais. E estes, tendo sido inspirados por Deus, jamais poderiam conter erros. Cremos que o Espírito Santo atuou na mente dos copistas honestos, de tal forma que não cometessem erros no que tange ao conteúdo espiritual dos textos bíblicos.
2. OS MANUSCRITOS MAIS ANTIGOS
De forma resumida, indicamos alguns dos manuscritos (MSS) mais antigos do Antigo Testamento, escritos em hebraico. 
1)      Códice dos primeiros e últimos profetas. Data de 895 d.C., escrito por Moses Ben Asher. Inclui os livros de Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis; Isaías, Jeremias, Ezequiel, e os Doze.
2)      Códice do Pentateuco. Foi escrito em 916 d.C. Dele, constam apenas os “últimos profetas”. Escrito por Arão, filho de Moses Ben Asher, e está arquivado no Museu Britânico, sob o número 4445.
3)      Códice Aleppo. “Contém todo o texto do Antigo Testamento. Copiado por Shelomo Ben Bayaa. Está em Israel, na Universidade hebraica.
4)      Rolos do Mar Morto. Foram descobertos em 1947, nas cavernas de Qumran, por um beduíno. É, sem dúvida, o mais importante achado arqueológico sobre os manuscritos do Antigo Testamento. O MS de Isaías, em hebraico, encontrado na caverna nº 01, tem 95% de concordância com o texto da Bíblia hebraica, como conhecemos. Os 5% de erros, encontrados, não afetam o conteúdo fundamental dos livros da Bíblia”.
Existem muitos manuscritos, do Antigo Testamento, e do Novo Testamento, escritos em grego, tais como:
1)      O Códice Vaticano “B”. Data do ano 325 d.C. Nele, o Antigo Testamento é cópia da versão grega da Septuaginta. 
2)      O Código Sinaítico ou Álefe. Encontra-se arquivado no Museu Britânico. Data de 340 d.C. Foi encontrado no Mosteiro de Santa Catarina, junto ao Monte Sinai. O Governo inglês o adquiriu dos russos, em 1933, por 510.000 dólares.
3)      O Códice Alexandrino. Encontra-se no Museu Britânico. Data de 425 d.C. Foi escrito em Alexandria, no Egito. 
4)      O Códice Efráemi ou “C”. Encontra-se no Museu de Louvre, na França. Data de 345.d.C.
Há uma enorme quantidade de manuscritos antigos, que podem ser conhecidos em livros de Bibliologia.
IV – FALHAS NA TRANSMISSÃO ESCRITA DA BÍBLIA 
1. AS FALHAS NAS CÓPIAS DOS MANUSCRITOS
Os textos bíblicos que conhecemos hoje foram escritos, a princípio, nos manuscritos que eram “rolos ou livros, da antiga literatura, escritos à mão. O texto da Bíblia foi preservado e transmitido mediante os seus manuscritos”. Segundo estudiosos, há, no mundo, 4000 manuscritos da Bíblia, escritos entre os séculos II e XV.
De acordo com Gilberto não há nenhum manuscrito original, “saído das mãos dos escritores”. Os manuscritos, feitos de papiro ou pergaminho, estragaram-se e foram enterrados, como costumavam fazer os judeus, com material que envelhecia. Reis e imperadores, idólatras e inimigos de Deus, faziam questão de destruir tudo o que contivesse a mensagem sagrada. Antíoco Epifânio (175-164 a.C.) não só destruiu Jerusalém, mas deu fim a todas as cópias das Sagradas Escrituras. Certamente, Deus permitiu essa destruição dos autógrafos para que não se tornassem objetos de veneração ou adoração, como ocorreu com relíquias sagradas.
Houve os manuscritos em hebraico, do Antigo Testamento. O mais conhecido é o rolo de Isaías, encontrado em Qumran, próximo ao Mar Morto, em 1947, juntamente com diversos outros manuscritos. O rolo de Isaías confirma o conteúdo do livro do profeta, como consta em nossas Bíblias. Há manuscritos em grego, tanto do Antigo como do Novo Testamento. 
2. OS CUIDADOS NAS CÓPIAS DOS MANUSCRITOS 
Os manuscritos conhecidos não são originais, mas cópias, elaboradas pelos copistas. Neles, foram constatadas várias falhas, ou erros, apesar das rigorosas regras que eram impostas a esses escribas. 
O pergaminho tinha que ser preparado de peles de animais limpos; preparados por judeus, sendo as folhas unidas por fios de peles de animais limpos. A tinta era especialmente preparada. O escriba não poderia escrever uma só palavra de memória. Tinha de pronunciar bem alto cada palavra, antes de escrevê-la. Tinha que limpar a pena com muita reverência antes de escrever o nome de Deus. As letras e as palavras eram contadas. Um erro numa folha inutilizava-a. Três erros numa folha inutilizavam todo o rolo.
Mesmo assim, os estudiosos, principalmente os críticos, registraram diversos erros na transcrição das cópias das cópias, derivadas dos manuscritos originais. A análise dos manuscritos é objeto dos críticos textuais.
Porém, os erros encontrados nas cópias dos manuscritos, e passados para as traduções, ou versões, dos textos bíblicos, chamados de “variantes textuais”, quando analisados à luz do contexto geral da Bíblia, não comprometem o valor da mensagem sagrada, nem se constituem motivos para descrer na inerrância da Bíblia. A troca de uma letra, numa palavra, poderia causar confusão quanto a seu sentido. Há dois tipos de erros: intencionais (o copista procurava adaptar o texto a outro, e até forçar algum tipo de acomodação doutrinária; e não intencionais (omissão de letras, erros de memória, má iluminação do ambiente, e outros).
Alguns dos erros mais comuns, encontrados nas cópias dos manuscritos, são:Haplografia, quando o copista deixava faltar uma letra, em uma palavra;ditografia, quando o escriba, já idoso, pedia a alguém para ajudá-lo, ditando as palavras do manuscrito, e o copista repetia letras ou palavras; este erro podia ser cometido, mesmo sem a ajuda de uma segunda pessoa; metátese, quando, pelo sono, ou cansaço, o copista invertia duas letras ou palavras. Por isso, vêem-se, em traduções diferentes, expressões aparentemente discrepantes. Por exemplo: Em Mateus 19.24, num manuscrito, há a expressão kamelos, que significa corda, cabo que prende o navio, passando pelo fundo de uma agulha, como ilustração para a dificuldade dos que amam as riquezas entrarem no céu; em outro manuscrito, a palavra traduzida ékamêlos, referindo-se ao animal. Qual o erro? Meramente de grafia. Mas não há erro fundamental no texto. Jesus quis mostrar que é muito difícil um rico, avarento, amante das riquezes, ter condições de ser salvo. Só isso.
Quando isso acontece, o leitor cristão, com humildade, entende que há um erro material, na tradução, mas jamais aceitará que se trate de um erro no conteúdo, na substância, na essência, ou na mensagem que a Bíblia quer nos transmitir. Basta comparar com a finalidade do texto, do livro, ou de toda a Bíblia, e verá que o Deus amoroso para com seus filhos jámais deixaria que algo confuso perturbasse sua fé. Diz a Bíblia: “Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos” (1 Co 14.33). 
No Novo Testamento, que é a porção do Livro Sagrado mais atacada pelos críticos da autencidade da Bíblia, foram localizadas, nos manuscritos, mais de 200.000 variantes textuais, ou “erros”. Nessa gama de falhas, há casos de apenas a troca de uma letra (e há milhares de casos assim), e é considerada como erro. No entanto, a análise cuidadosa de cada uma mostrou que, só em 10.000 trechos (2,5%) há falhas consideradas triviais. 
Não basta afirmar que a Bíblia é o livro mais preservado, que sobreviveu desde os tempos antigos, mas lembremos também que asvariantes de certa importância representam menos da metade de 1%de corrupção textual, e que nenhuma dessas variantes influi em alguma doutrina básica do cristianismo11 (grifos meu). 
Quando a alta crítica textual diz que há milhares de variantes, dá a impressão de que a Bíblia é um livro cheio de erros, e não pode ser inerrante. A análise criteriosa, desses erros (“de certa importância”), no entanto, demonstra sem paixão, que eles constituem apenas menos de 0,5% de todo o conjunto da imensa e maravilhosa biblioteca divina, constituída de 66 livros, em mais de mil capitulos e milhares e milhares de letras! Cumpre-se o que Jesus disse: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17).
Como existem 5000 manuscritos do Novo Testamento, e cerca de 9000 versões e traduções, pode-se afirmar, com segurança, que o texto bíblico não contém erros fundamentais, que comprometam seu conteúdo. Pesquisadores sérios, como “Westcott e Hort, Ezra Abott, Philip Schaff e A.T. Robertson avaliaram com o máximo cuidado as evidências e chegaram à conclusão de que o texto do Novo Testamento tem pureza superior a 99%”! Essa avaliação apenas confirma o que a Bíblia diz a respeito de si mesma: “Toda palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele” (Pv 30.5).
Essa pureza que permeia os textos da Bíblia é algo extraordinário. Como livro (versão em português), que contém 66 livros, 1.189 capítulos, 31.173 versículos, 773.692 palavras e 3.566.480 letras, serem encontrados menos de 0,5% (meio por cento) de falhas significativas é algo que corrobora a inspiração de Deus, quanto ao conteúdo original da transmissão de sua Palavra, ao homem, e o cuidado do Espírito Santo no trato com os que se encarregaram de compilar os textos, os manuscritos, e suas cópias, para formar o cânon bíblico. 
Só o Decálogo não teve erros, porque foi escrito pelo dedo de Deus. A partir de Moisés, outros escritores vieram, mas foram suscetíveis de cometer erros, na transmissão da mensagem, em termos materiais, ou seja, na tradução das palavras ou na forma de escrever.*
* Este texto foi extraído do livro Deus e a Bíblia – obra que acompanha as lições bíblicas do trimestre.

Fonte: CPAD

terça-feira, 10 de abril de 2012

O Perigo dos Apócrifos e Sua Autenticidade



No contexto bíblico o termo apócrifo alude à coisas secretas, místicas, ocultas. termo á grego e tem este sentido literal.Já no campo religioso o sentido é não genuíno, impuro, falsificado. Tal sentido teve início com Jerônimo, quando da sua tradução da Vulgata Latina (382-405 dC).

Quando a Bíblia foi inicialmente traduzida para o latim em 170 dC ( a versão conhecida por Vetus Ítala), seu Antigo Testamento foi traduzido do grego da versão Septuaginta, feita antes da era cristã, e não do texto hebraico original. Quando Jerônimo traduziu a Vulgata Latina, como acima mencionamos, com relutância incluiu os livros apócrifos, porque a isso foi compelido por seus superiores eclesiásticos, mas recomendou que esses livros não servia como fonte de fé e doutrina.

DETALHES SOBRE OS LIVROS APÓCRIFOS

Os livros apócrifos atuais são os que aparecem isentos nas Bíblias de edição católica-romana e também em certas edições protestantes, como, em resumo, esclarecemos a seguir. 

Os líderes judeus ortodoxos nunca permitiriam a inserção desses livros na Bíblia, que consiste no cânon hebraico do Antigo Testamento. Na Bíblia de edição romana, o total de livro é de 71 ( e não 66, como a protestante) porque a Igreja Romana desde o concílio de Trento, em 1.546, aprovou e incluiu no cânon do Antigo Testamento, sete livros apócrifos então existentes e mais quatro apêndices e livros canônicos, somando ao todo onze escritos apócrifos nas Bíblias oficialmente adotados por esta igreja.

A primeira Bíblia a trazer os apócrifos ( e muito mais que os atuais) foi a versão Septuaginta, feita do hebraico para o grego, em Alexandria, Egito, cerca de dois séculos antes da era cristã.

Seus tradutores, judeus liberais, trabalhando fora de sua pátria, e apenas como tradutores a serviço do trono do Egito, inseriram os apócrifos no cânon sagrado, como se eles fossem divinamente inspirado como os demais livros que compõem o referido cânon.

Segundo a tradição em documentos da época, a Versão Septuaginta foi feita para prioritariamente enriquecer o acervo do que era na época a maior biblioteca do mundo a de Alexandria.

Da Septuaginta os apócrifos passaram para a Versão conhecida como Vulgata Latina, da qual fizemos referência. A Vulgata continua a ser a versão oficial Romana, o que foi há pouco mais de um século ratificado pelo concílio Vaticano I, em 1.870. O termo "apócrifo" aparece no novo testamento grego, em passagens como Mc 4.22b, Lc 8.17b e Cl 2.3, sendo variavelmente traduzido como qualquer leitor da Bíblia pode verificar.

"A Vulgata Latina continua a ser a versão oficial da Igreja Romana, o que foi há pouco mais de um século ratificado pelo Concílio Vaticano I, em 1.870".

Jerônimo recomendou claramente que esses livros não podiam servir como fonte de fé e doutrina. 

"Do ponto de vista religioso, uma cuidadosa comparação entre 1o e 2o Macabeus mostra que ele se contradizem. Há neles lendas extravagantes.

Livro de 2O Macabeus (que é mais religioso que o primeiro) justificava o suicídio e sancionava a prática da oração pelos mortos, além de outros ensinos extra bíblicos".

Os líderes religiosos judeus jamais aceitaram os escritos apócrifos no cânon sagrado que eles, com fervor, cuidado e escrúpulo religioso, conservam como o seu maior tesouro desde os tempos de Moisés. Esses livros também nunca foram aceitos pela igreja primitiva nos seus primeiros séculos. 

O movimento da Reforma Protestante que procurou reconduzir a igreja às suas bases, preceitos e princípio bíblicos, também os rejeitou terminantemente, como textos divinamente inspirados, e portanto, impróprios para integrarem o cânon das Sagradas Escrituras.

Os escritos apócrifos que circulam atualmente em certas Bíblias são:

Tobias (após o livro de Neemias)
Judite (após Tobias )
Sabedoria de Salomão (após Cantares de Salomão)
Eclesiasticos (após Sabedoria de Salomão)
1O e 2O Macabeus (após Malaquias) 

Estes são livros inteiros, mas há também quatro apêndice a livros canônicos

Cântico dos Três Santos Jovens (após o capítulo 3 de Daniel)
História de Susana (após o capítulo 13 de Daniel)
Bel e o Dragão (após o capítulo 14 de Daniel) 
e finalmente fatos da vida de Ester e Mardoque (após o livro de Ester) Este último livro apêndice é um dos mais longos.

RESUMO DO CONTEÚDO DOS APÓCRIFO

Um artigo limitado como este não comporta uma análise detalhada de cada um dos livros e apêndice apócrifos. Damos apenas uma simples suma como segue. 

T O B I A S

Contém fantasias que qualquer leitor, isento de preconceitos religiosos e bem intencionados, logo notará que são mitos. O conteúdo do citado livro favorece a superstição e coloca em destaque um anjo mentiroso e até mesmo blasfemo. 

O livro ainda insinua sem rodeio a salvação mediante obras e também induz a pessoa a mentir.

Apresenta esmolas como uma forma de expiar o pecado. Destaca a prática da magia e do ocultismo ; inclusive, discorre sobre um espírito mau que se apaixona à determinada mulher.

JUDITE

Apresenta em resumo uma narrativa fictícia de uma senhora judia, viúva da cidade de Nínive, que através de certas peripécias torna-se heroína. Os conceitos que aparecem no livro ensina que se o fim é útil e proveitoso, os meios utilizados para alcança-los, mesmo que sejam maus, são justificados. Ora, isto é sutileza e nada tem com a inspiração divina que perpassa pelos livros canônicos do Santo Livro. 

SABEDORIA DE SALOMÃO

Este livro leva o nome deste terceiro rei de Israel, entretanto não tem conexão com ele. O dito livro deixa claro a falsa doutrina da reencarnação. Também a moral que o livro apregoa em seus provérbios e máximas vê-se que é deficiente em relação ao que a Bíblia ensina nesse particular, desde os seus primeiros capítulos. 

E C L E S I Á S T I C O

É também chamado de sabedoria de Jesus, filhos de Siraque. Tem certa semelhança bem distante com o livro canônico de Provérbios, mas nota-se que não há nele nada de inspiração divina, como nos livros normais da Bíblia. Não há nada de peso espiritual nele que o iguale a um livro similar, seja do Antigo ou do Novo Testamento. O absurdo do livro de eclesiástico é ensinar o princípio do panteísmo e também o da moral comprometida. 

B A R U Q U E

É uma espécie de lamento pela queda de Jerusalém, quando de sua tomada por Nabucodonossor. É o maior dos livros apócrifos : contém 51 capítulos. No seu final, o livro contém a epístola de Jeremias (que em certas bíblias que incluem os apócrifos, é considerado um livro à parte). 

Esse Baruque é tido como o escriba do profeta Jeremias, da bíblia. Os Judeus nunca aceitaram esse fato como verídico.

1o e 2o M A C A B E U S

Ambos os livro contém abundante material histórico que conduz a outras fontes históricas da época. 

Portanto, são livros de utilidade para pesquisas históricas, mas isso jamais os qualifica como livros divinamente inspirado, e genuinamente bíblicos.

Há neles detalhes impressionantes conducentes à revolta dos irmãos Macabeus, ocorrido no período inter bíblico, entre os profetas Malaquias e o ministério de João Batista, o precursor de Jesus, já no Novo Testamento.

Do ponto de vista religioso, uma cuidadosa comparação entre 1o e 2o Macabeus mostra que eles se contradizem. Há neles lendas extravagantes. O livro de 2o Macabeus (que é o mais religioso que o primeiro) justifica o suicídio, e sanciona a prática da oração pelos mortos, além de outros ensinos extrabíblicos. 

Quanto aos apêndices a livros canônicos já mencionado, o seu conteúdo é da mais simples interpretação e análise, mas todos eles contém impropriedades que os desacreditam como textos inspirados do cânon sagrado.

Por exemplo ; a história de Bel e o Dragão apensa ao livro de Daniel, de um lado contém absurdos no seu relato, e por lado alguma coisa ridícula, indignas de escrito supostamente bíblico. 

FATOS QUE IMPUGNAM OS APÓCRIFOS COMO LIVROS DIVINAMENTE INSPIRADO

1 ) Eles foram escritos no chamado período inter bíblico ( isto é entre o Antigo e Novo Testamento ), exatamente numa época em que o cânon das sagradas Escrituras hebraicas estava encerrado. Nenhum profeta literário Deus suscitou naquele tempo. Basta isto para tirar-lhes qualquer pretensão da canonicidade.

2 ) Quando os apócrifos foram aprovados pela Igreja Romana para constarem da bíblia, o cânon das escrituras hebraicas já era reconhecida, fixado e ratificado pelos judeus, desde o Concílio de Jamnio, em Israel, no ano de 90 dC. O Concílio de Trento foi convocado pela Igreja Romana para a tomada de medidas urgentes destinadas a conter o avanço do movimento religioso da Reforma Protestante que ameaçava de vários modos o Catolicismo Romano, o qual via nesses livros base para apoio de suas doutrinas antibíblicas, como: 

Salvação pelas obras, 
Oração pelos mortos, 
Tradição religiosa de igual autoridade que revelação divina,
Meios justificando os fins. (os jesuítas adotaram este princípio maldito na famigerada Inquisição).

3 ) Os tradutores e editores judeus, da versão septuaginta, incluíram por sua conta os apócrifos nessa versão e isso causou a impressão de serem canônicos, sem o serem. Ora isso aconteceu fora da Palestina (de então), no Egito, e destinada inicialmente aos fins indicados neste artigo. Os líderes judeus da então Palestina nunca teriam feito isso, por temor a Deus, por ortodoxia religiosa e porque nunca haveria consenso entre eles nesse sentido. Em resumo : não foi por serem canônicos que os apócrifos foram incluídos na Versão Septuaginta, mas a sua indevida inclusão deu esta impressão.

4 ) Os lideres cristão da Reforma publicaram inicialmente a bíblia com os apócrifos, mas colocando-os como um apêndice no final do Antigo Testamento ; não como livros inspirados, mas apenas com valor literário. Entretanto, a confusão que se seguiu foi inevitável entre o povo leigo, que não sabe distinguir entre um escrito apócrifo e um autêntico, em se tratando de texto bíblico. Até 1.827 a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira publicou a bíblia (em inglês) com os apócrifos, mas com as complicações surgidas e sempre crescente do público, decidiu descartar isso.

5 ) Nenhum livro do Novo Testamento cita qualquer dos apócrifos, os quais existiam naquele tempo. Este fato, por si só constitui um solido argumento para a recusa dos evangélicos quanto aos apócrifos. Os seus defensores invocam a Epístola de Judas(versículo 14 e 15), alegando que trata-se ali do livro apócrifo de Enoque (livro esse não aceito pela Igreja Romana. Trata-se de um livro de natureza apocalíptica, muito extenso). Judas, o escritor sacro, não fez uma citação desse tal livro de Enoque : ele cita uma profecia original de Enoque, o homem que andou com Deus, do livro de Gênesis. Uma coisa é que Enoque, o homem ; outra é o livro apócrifo deste nome.

6 ) Flávio Josefo, o grande historiador judeu, rejeitou totalmente os apócrifo. Quem compulsar a sua obra notará a sua clareza nesse particular. E Josefo, como ser humano, é uma autoridade respeitável até hoje. Inclusive, as recentes descobertas em Israel através da arqueologia vieram comprovar muitas informações encontradas nas obras deste celebre historiador.

7 ) Jesus, o Filho de Deus e nosso bendito salvador, nunca os citou nos seus sermões e ensinos, e os apócrifos já existiam quando Jesus aqui viveu e ensinou. Se tivessem autoridade divina, Jesus os teria citado, como mencionou tanto outros escritos e mensagens dos sacros escritores da Palavra de Deus. Se Jesus silenciou nesse particular, vamos nós acolher e exaltar os apócrifos como sendo a Palavra de Deus ?

8 ) Qualquer leitor cristão que se acerque da bíblia com devoção, temor de Deus, oração, fé sincera e humildade, e depois lançar mão de um livro apócrifo, notará imediatamente que os apócrifos nada tem de inspiração divina.

9 ) Sempre que um determinado segmento da igreja cristã experimentar um real despertamento bíblico, como a história da igreja registra diversos, os apócrifos são esquecido e a igreja passa a cuidar de coisas mais edificantes para o Reino de Deus.

Mas, à medida que determinado segmento passa por calmaria e entra pelo caminho de secularização e do humanismo, ocorre o sutil e nocivo retorno passando a considerar os apócrifos como de importância bíblica, para a fé e a doutrina cristã.

Não estamos a falar de supostos avivamentos, promovidos pelo homem, mas de reais avivamentos do Espírito Santo.

INFORMAÇÕES FINAIS

Há ainda outros escritos religiosos não-canônicos relacionados, tanto com o Antigo como com o Novo Testamento. São chamados pelos eruditos de pseudos-epigráficos, isto é. falsos escritos. Os mais destacados somam 26 títulos. Os principais dos tempos do Novo Testamento somam 24. Inovações doutrinárias continuam a fustigar a Igreja, e não duvidamos que em qualquer dia algum desses pseudos-epigráficos (que são piores do que os apócrifos) sejam também invocados como suporte para a fé e a doutrinas cristã. 

Os 39 livros canônicos do Antigo Testamento são chamados pelos católicos romanos de protocanônicos (querendo com isso dizer que trata-se dos livros da bíblia que foram primeiramente aceitos ou aprovados, no sentido formal, humano). Os livros e apêndices que chamamos de apócrifos, os romanos os chamam de deuterocanônicos (e certos evangélicos também). O termo procura dizer que tais livros também são considerados aprovados, mas em segundo lugar ; numa segunda leva, o que não é verídico. Já os livros que os evangélicos chamam de pseudos-epigráficos, os católicos os chamam de apócrifos. Evitemos, uma confusão de terminologia religiosa. 

Fonte: JesusSite

segunda-feira, 19 de março de 2012

O Cânon e a Formação da Bíblia



A Declaração de Independência dos Estados Unidos contém a frase clássica: "Consideramos estas verdades evidentes...”.Os 27 livros canônicos das Escrituras Gregas foram escritos em grego koiné (grego comum da época). No entanto, o livro de Mateus foi escrito na língua Hebraica dos judeus. Assim, diz Jerônimo, tradutor da Bíblia do IV século, e Papias, um historiador cristão do século II. Mateus provavelmente fez sua própria tradução, porque de fato, como um ex-funcionário do serviço dos romanos como cobrador de impostos, ele certamente conhecia o hebraico, latim e grego (Marcos 2:14-17). Marcos, Lucas, João, Paulo, Pedro e  outros escritores cristãos da Bíblia foram escritos em grego koiné, que era a linguagem comum compreendida pelos povos cristãos que viviam no primeiro século. 

A visão geral do Evangelho de João foi escrito por volta de 98 dC, após seu retorno do exílio na ilha de Patmos (Apocalipse 1:9). O imperador romano Nerva (96-98) lembrou-se dos muitos que haviam sido exilados até o final do reinado de Domiciano.

Segundo a tradição, João foi liberado e deve ser retornado do exílio após a morte de Domiciano, e morreu em Éfeso, no final do primeiro século.

Temos na nossa posse hoje uma reserva de mais de 13.000 cópias manuscritas dos 27 livros canônicos. Algumas porções grandes de capa da Escritura, outros são apenas fragmentos. Tem sido estimado em mais de 5.000 o número de manuscritos no original grego. Além disso, existem mais de 8.000 manuscritos em vários outros idiomas. Variando do século II  para o século XVI. Todos são de valor inestimável no estabelecimento do texto original autêntico. O mais antigo dos muitos manuscritos em papiro é um fragmento do Evangelho de João, conhecido pelo número internacional P, que é datado da primeira metade do século II, e está localizado na Biblioteca John Rylands em Manchester (Inglaterra).

Na província de Fayoum, no Egito foi encontrada muita coisa escrita em papiro. No século XIX, certo números de papiros bíblicos foram desenterrados. Uma das descobertas mais importantes dos manuscritos nosso tempo foi publicado em 1931. Havia 11 fragmentos de códices, em grego, porções de oito livros das Escrituras Hebraicas e 15 livros inspirados das Escrituras Gregas Cristãs. Datados esses papiros entre o século II e IV de nossa era. A maioria dos fragmentos das Escrituras Gregas Cristãs descobertos agora fazem parte de coleções no Chester Beatty. Referências P45, P46 e P47 (a letra P é o símbolo carta para o "papiro"). Papiros pertencente a outra notável coleção foram publicados em Genebra (Suíça) de 1956 a 1961. Conhecido como o papiro Bodmer contém os textos dos dois primeiros Evangelhos (P66 e P75) a partir do início do século III dC .

As descobertas destes papiros são prova de que o cânon da Bíblia foi terminado cedo. Entre o papiro Chester Beatty, códice 2-1 (P45), que liga todos os fragmentos dos quatro Evangelhos e Atos, o outro (P46) juntos em um códice 9 das 14 cartas de Paulo mostram que as Escrituras Gregas Cristãs inspiradas foram compilados logo após a morte dos apóstolos. Como levou um tempo para esses códices serem amplamente distribuídos para o Egito, parece que essas escrituras foram compiladas na sua forma atual desde o 2° século, o mais tardar. Assim, não há dúvida de que, no final do século II, o cânon das Escrituras Gregas Cristãs foi concluído, completando o cânon da Bíblia como um todo.

 Por: Apolônio Alves